Obama e o Barão de Cotegipe

Barão de Cotegipe
Barão de Cotegipe: um político à frente do seu tempo, visionário e abolicionista. No Brasil Império, os negros já ocupavam cargos de destaque. Após o golpe republicano, deu-se lugar ao preconceito e o país perdeu grandes homens na administração pública apenas porque não eram brancos.

Foi muito comemorada a eleição de Barack Obama a presidente dos EUA por ter sido o primeiro negro a ocupar o cargo. Curiosamente, não foi nesses termos que o próprio Obama se definiu diante das câmeras de TV. Tive a oportunidade de ouvi-lo declarar que não era branco nem preto, mas mulato. Mãe branca e pai negro. Provavelmente se colocando como um ponto de união física entre duas raças cuja trajetória nos EUA foi marcada por um tipo de segregação aviltante. Legalmente, o negro americano chegou a ser definido como ¾ de homem. Isso para não mencionar a legislação dos estados americanos, em especial os do sul após a guerra da secessão, que criou todo tipo de empecilho jurídico ao pleno exercício da cidadania pelos negros. Por mais de século, vigorou a doutrina do “iguais mas separados”, com o devido respaldo da Suprema Corte americana, até que o movimento pelos direitos civis dos anos de 1960 levou a mesma corte a votar por unanimidade extraída a fórceps pela integração racial nas escolas, pondo um ponto final àquela hedionda lei.

De toda forma, negro ou mulato, foi um momento único na história americana. Assumindo-se como mulato, Obama também renegava a tradição de seu país onde uma simples gota de sangue negro era suficiente para que uma pessoa fosse declarada negra. Era como se fosse uma espécie de impureza que um branco não poderia carregar em seu sangue. Continue lendo “Obama e o Barão de Cotegipe”