O conto de fadas da república

O Reino da Espanha investigou e indiciou 95 pessoas envolvidas em corrupção política na27 Espanha. Tudo por causa de um suposto esquema de vendas de alvará de construção na prefeitura da cidade de Marbella.

Incrível! Alguém consegue imaginar algum prefeito brasileiro sendo indiciado por causa de uma “bobagem” como venda de alvarás? Todo mundo vende alvarás… ou finge “não saber” que isso acontece sempre. É prática comum raramente punida na república do Brasil, apesar da lei prometer sanção aos criminosos.

Quase todas as prefeituras brasileiras estão atoladas em corrupção e os prefeitos vereadores, secretários e demais bandidos agem com plena certeza de que nãos serão punidos.

Essa situação de corrupção absurda é favorecida pela república onde o interesse pessoal quase nunca coincide com o interesse da coletividade.

Numa cidade do interior de Minas Gerais, por exemplo, um prefeito furtou R$ 4.000.000,00 e não foi nem será punido. No lugar dele, prenderam um laranja pobre-coitado, sujeito sem capacidade de montar um esquema de corrupção dessa envergadura. O mais incrível é que o ex-prefeito ainda será eleito deputado estadual pela população que o ama. A lei do Ficha Limpa não poderá detê-lo porque nada “ficou provado”, como sempre. Esse é apenas um caso. Há milhares de casos como esse no Brasil. Ou seja: casos de bandidos com “ficha limpa” e “reputação ilibada”.

A república: sonho de papai-noel

Acredite em papai-noel. É mais fácil que acreditar na república. Alguém poderá por um presente na porta da sua casa e realizar sua fantasia, mas acreditar que os políticos irão renunciar seu interesse pessoal em prol do “bem de todos” é muita fantasia, muito sonho, muita piração. Isso sim é utopia.

A república é uma maravilha para todo tipo de bandido, ladrão e trapaceiro. Na verdade, a república é o paraíso dos larápios. Por isso, a maioria dos bandidos, digo políticos, são a favor da república. É o ganha-pão deles. A melhor forma de enriquecer às custas do povo e com a melhor das intenções possíveis. Não existe político “mal intencionado”, todos possuem a melhor das intenções. O problema, como sempre, é na execução, enfim: na hora de pesar o interesse pessoal (o do político) com o interesse coletivo, (o do povo). E nesse ponto as repúblicas sempre ficaram em desvantagem em relação às monarquias.

O caso das prefeituras atoladas em corrupção é o de menos quando o Brasil tem um governo federal ainda mais corrupto em todos os três níveis: executivos, legislativo e judiciário. Toda semana temos um escândalo novo envolvendo algum senador, membro do Poder Executivo, membro do judiciário e claro, algum deputado. Só no ano de 2009, houve 108 escândalos no Senado. Nenhum foi punido. Neste ano, estamos com 39 escândalos no Senado. Nenhum também punido. Isso porque não contamos os escândalos da presidência da república, da câmara dos deputados e os absurdos do STF.

Claro, também não citamos os governos estaduais. Eles também são pródigos em escândalos e impunidade contra os bandidos de terno. Apesar das cifras milionárias, raramente há punição para os envolvidos. E mesmo assim, quando há, a punição é branda comparado ao “benefício” que o corrupto obtém com o crime. Na pior das hipóteses, o corrupto ficará 2 anos numa cadeia por ter roubado R$ 200.000.000,00.

Retardado

Acredite na república e nas eleições presidenciais. Ele também acredita.

Aos olhos de qualquer economista isso parece um bom negócio, pois ninguém consegue esse dinheiro trabalhando honesto em dois anos. E o como o dinheiro está em algum paraíso fiscal não rastreável, o corrupto poderá usufruir dele depois que sair da cadeia e tudo “dentro da lei”. Pensando assim, o crime de fato compensa no Brasil. A regra é a impunidade. E quando há punição, ela é muito branda como no caso do deputado federal José Fuscaldi Cesílio que pegou 7 anos de cadeia em regime semi-aberto, ou seja: ele não vai ficar na cadeia. E o bolso, do criminoso, claro, continuará intocado… Ou seja: valeu a pena o crime.

E a situação torna-se mais grave no Brasil porque não existe democracia. E, para piorar, ninguém sabe o que essa palavra significa para poder fazer algo a respeito.

Enquanto isso, no Reino da Espanha, a prefeita corrupta vai pegar 20 anos de prisão e mais 94 pessoas serão julgadas por um “reles” crime de venda de alvarás… Crime que jamais daria em nada no Brasil, já que coisas muito piores nunca dão em nada…

Tudo isso mais uma vez só mostra o porquê a monarquia é muito mais eficiente que a república quando o assunto é combate à corrupção. Há um motivo para combatê-la: o interesse pessoal do chefe do Estado: o Rei.

E quando o Rei falha? Diferentemente da república, ele e seus familiares respondem pelos seus erros. Isso ocorre porque o Poder Judiciário espanhol não é subserviente a interesses políticos, é um órgão técnico independente de questões partidárias. Alguém aqui consegue imaginar o Lula e o Lulinha sendo investigados por corrupção? Muito difícil. Já na Espanha, aconteceu.

E aí? Vai continuar a acreditar no conto de fadas da república?

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