Glauco Villas Boas, o cartunista assassinado. Sua última charge e nosso protesto.

Glauco Villas Boas
Glauco Villas Boas: mais uma vítima dos descaso da república com a segurança no Brasil.

O assassinato do Cartunista Glauco Villas Boas (53) e seu filho Raoni Villas Boas (25) nesta madrugada de sexta-feira foi uma tragédia irreparável. Não perdemos só duas pessoas únicas, nem um grande cartunista. Perdemos também parte da esperança que tanta falta faz para nós brasileiros.

Glauco era um alquimista. Ele transformava toda nossa indignação contra os males do Brasil em riso. Ele nos ajudava a superar a dor causada pela barbárie em algo construtivo. Ele nos ajudava a transformar nosso ódio em bom humor.

A perda de Glauco não é só uma tragédia. É uma profecia. Ela nos diz: “brasileiros, vocês não estão seguros”, “ninguém está seguro”, “todos vocês podem ser mortos em casa estupidamente”, “vocês são escravos da violência”.

Essa voz profética exige que nós, os sobreviventes da resistência, façamos algo para mudar o caos em que vivemos. Ela nos exige repensar o que causa tanta violência e a fazer o possível para que isso mude.

Chegará o dia da mudança. E ele está próximo. Os micros, pequenos e médios empresários irão acordar do sonho. A classe média e os intelectuais irão se render aos fatos. E todos eles verão que as causas da violência no Brasil são profundas. Verão que elas estão ligadas à forma de estado e à forma de governo que vivemos: a república presidencialista, sistema onde o governante não tem interesse pessoal para que o Estado preste serviços de qualidade.

Glauco, em sua homenagem deixo aqui sua última charge e meu grito de revolta para que a monarquia volte e assassinatos cruéis como o seu parem de ocorrer todos os dias no Brasil:

Glauco Villas Boas: a última charge publicada antes da morte.

Última charge de Glauco Villas Boas. Publicada pela FOLHA logo após a morte.

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