A Hipocrisia Humana

Cuidado: a mentira mata. Centenas de milhares de pessoas morrem anualmente por causa da violência, falta de saúde, agrotóxicos, poluição, fome, acidentes de trânsito, falta de saneamento, desastres e outros problemas. A causa é a mesma de sempre: a mentira. No Brasil ela se chama república. O maior conto de fadas já contado e que muitos bobos acreditam, apesar de haver 120 anos que ela não dá certo.

Fico impressionado com o alcance da hipocrisia humana quando dou uma parada e olho o mundo ao redor. Senhores, doutores e corruptores batem a mão no peito e defendem suas posições como se fossem exemplares perfeitos da mais pura ética e moral, dignos de fundarem qualquer religião que salve de modo cabal a alma de seus seguidores.

Alguns deles chegam a se contorcer quando escutam a palavra “violência” como se não cometessem atos de violência o tempo todo contra seus semelhantes. Esses senhores defensores dos direitos humanos, das liberdades e tantos nomes bonitos que infestam o discurso dos famélicos políticos; são os que mais causam mal e violentam a vida das pessoas. Eles perpetuam um sistema gerador das mais intensas contradições, a república, que reduziu os brasileiros a bestas que acreditam em contos da carochinha.

Uma sociedade doente, fraca e hipócrita como a nossa não tem moral para falar de ética porque ela é anti-ética em sua essência. Ela despreza a liberdade, repudia a igualdade e declarou ódio de morte contra a vida. Se ela diz que defende esses valores, isso é palavrório furado, é tática de demagogia. Por acaso você já ouviu algum político defendendo alguma ideia que não fosse justa e honesta? Pelo que ouço, dizem querer o bem da sociedade e por aí vai…

Se você duvida, levante da cadeira, dê uma voltinha na rua e experimente encontrar algum político em época eleitoral. Ele vai te dizer tanta coisa bonita e justa que você vai chorar de emoção! Talento impressionante! Será que os diretores de novela televisiva sabem disso?

O Doutor Fernando Collor de Melo, um dos muitos exemplos clássicos de corrupção política brasileira, foi o Presidente que sancionou a lei 8.429/1992 que estabelece normas severíssimas para punir e reprimir a improbidade administrativa. Isso mesmo! Aquele mesmo presidente que se autoproclamava o “Caçador de Marajás”.

A política brasileira tem esse dom nefando de atrair para si os piores elementos da sociedade. O senso comum não tem condições de julgar quem eles são através da TV, pois não é possível, pelo discurso, diferenciar o político picareta do sério. Sendo assim, nossa democracia, se é que podemos dizer isso, seria melhor definida como um jogo de cabra-cega no qual o eleitor, de olhos vendados, tenta acertar o rabo do burro de tempos em tempos.

O resultado dessas escolhas aleatórias é o que vemos hoje: caos econômico e social. Os politicólogos do governo talvez tenham outra versão para essa história: crescimento da balança comercial, aumento das exportações, responsabilidade administrativa e esse tanto de palavrório técnico para fazer parecer que está tudo bem. Entretanto, não acredito que isso seja verdade, pois o Brasil está podre de tanta corrupção política.

O Rio de Janeiro está fora de controle. Cada favela é uma cidade-estado independente. Lá o governo republicano do Brasil não exerce sua Soberania. A religião substituiu as escolas, e o empresário fora da lei – geralmente o traficante de drogas – assumiu para si as funções estatais. É comum vê-los encarregados pelo “fornecimento de energia elétrica”, “água”, “serviço postal” e “proteção”. Alguns deles já evoluíram e estão fazendo “julgamentos” nos quais decidem desde “divórcios” até a “pena de morte” dos seus “súditos”. Esse fenômeno não é recente. Basta lembrar que a maioria dos estados europeus tiveram origem em bárbaros fora da lei que se aproveitaram da fraqueza institucional do Império Romano.

O Estado brasileiro não consegue ver que há concorrentes dentro do seu próprio território. E de fato, ele não poderia. Os governantes estão muito preocupados com o próprio umbigo, assim, não sobra tempo para administrar o país. Esse é o mau das repúblicas: quando os políticos buscam o próprio interesse – regra geral – prejudicam toda sociedade. Infelizmente, esse problema não é específico de um partido político, é geral. Faz parte de nossa cultura. Todos querem levar vantagem. E que mal tem nisso? A meu ver, nenhum. O problema é quando a minha vantagem ou a vantagem particular do fulano prejudica toda sociedade. Infelizmente, a república não é capaz de evitar o problema. Só a Monarquia o pode porque o interesse pessoal do Monarca coincide com a vantagem da sociedade como um todo.

Não se muda a cultura de um povo. Isso é processo Milenar. O que se faz é adaptar-se à cultura de um povo. Nosso jeitinho brasileiro – que nos faz tanto mal na república – é nossa tábua de salvação na Monarquia e na economia. É graças ao “jeitinho” que somos criativos e competitivos no mercado, apesar de nossas empresas estarem sufocadas com a taxa de juros mais alta do planeta e o pior governo da face da terra. Foi graças ao “jeitinho” que o Brasil foi o único país de 1º mundo da América do Sul com economia forte e respeito mundial durante todo período que fomos Monarquia. Sim! Fomos primeiro mundo ao lado da Inglaterra, França e Estados Unidos! Posição que perdemos com a república!

Falsidade, estou fora.

Apoie a campanha “Falsidade, tô fora” e ajude a fazer do Brasil um país menos hipócrita. Diga não à república, diga não à hipocrisia.

Tudo tem dois lados. E assim é também com nosso “jeitinho”. Se formos inteligentes, vamos fazer o lado bom dele brilhar. Se formos teimosos, vamos continuar quebrando a cara por mais 120 anos com a república.

Conscientizar é a solução? Não! Não é a conscientização que irá fazer de nosso país uma república melhor. Isso é conto de fadas! Veja o caso do dengue. Nunca se falou tanto sobre isso na televisão, rádio e internet. Tem até agente de saúde que vai à casa das pessoas todo mês para fazer prevenção e conversar. Adianta alguma coisa? Não. O dengue continua avançando. Por quê? Porque o povo não tem interesse pessoal em combater o mosquito. Eles acham que é obrigação só do governo. Aliás, limpar o quintal incomoda. Enfim: a propaganda contra o dengue é o melhor exemplo de que conscientizar não adianta nada quando o interesse pessoal está em jogo. Entre a vantagem pessoal e a consciência, a vantagem sempre leva vantagem… O político corrupto tem muita consciência do que faz. Ou você acredita que ele não sabe que surrupiar dinheiro público é crime dos mais infames? Lógico que sabe. Você que é bobo de acreditar que conscientizar as pessoas vão fazê-las parar de buscar vantagens para elas próprias.

Enquanto formos hipócritas, jamais teremos condições de construir um Estado que seja Estado. A falta de ética não é um problema de berço ou religioso como acredita o vulgo, é um problema de educação pública. As escolas privilegiam uma educação técnica, voltada para o ensino de ciências, mas despreza aquilo sem a qual nenhum conhecimento técnico produz bons frutos: ética. Aliás, temos outro problema sério. No nosso sistema atual, quem for ético não tem chance na política, nem nas empresas privadas. É a hipocrisia de nosso sistema. Fala-se de ética como se todos fossem exemplos impecáveis dela; mas se você quiser realmente praticá-la, será punido pela sociedade. Dois pesos, duas medidas! Quanta hipocrisia!

Se quisermos um país melhor, devemos aprender a diminuir nossa hipocrisia. E podemos começar admitindo que queremos levar vantagem em tudo. Que mal tem nisso? Você gosta de ser passado para trás o tempo todo? Você gosta de fazer parte de um país de bobocas? Eu não!

A inversão de valores em nossa sociedade é muito grande. A exemplo do Marechal Deodoro da Fonseca, que cometeu alta traição contra o imperador Dom Pedro II e hoje é considerado o grande herói da república. Isso só evidencia duas coisas: 1) o conceito de Ética é muito relativo quando se vive num país anti-ético; 2) Corrupção desregrada é o mínimo que poderia se esperar de uma república com um nascimento tão “glorioso”.

Não se iluda. Tanto faz quem seja eleito no Brasil, enquanto formos uma república, continuaremos um país de pândegos.

Mas a podridão e a hipocrisia não são privilégios da política. Há também os bondosos servos de deus!! Eles dizem que o “amor” é a meta da vida deles, que é importante “ajudar o próximo” e blá, blá, blá. O mais impressionante é que a maioria desses “doutores do amor” são aqueles que cobram um preço extra de seu semelhante, fazem negócio com tudo, vendendo, comprando, trocando e cobrando taxas… de Graça!!! Não!!! Tem preço: na igreja é 10% e na vida privada os outros 90%, pois “está escrito…”.

Também há os que ensinam ao povo aceitar sua condição desgraçada para entrar no “Reino de Deus”. Dizem que Deus fez o mundo injusto e que cabe aos fiéis aceitar isso sem indignar-se para receberem a “Santa recompensa”. Enfim: diante disso tudo, fica difícil não concordar com as críticas de Max Webber, Durkheim e Friedrich Niestzche.

Hipocrisia política: nas eleições, os políticos sempre sorriem e são “boa gente”. Mas tão logo elas passam, eles enfiam a faca nas nossas costas. O motivo é o mesmo de sempre: o interesse deles prevalesce e, infelizmente, não coincide com os da sociedade.

O pior é que sempre foi assim. Não é de agora que o ser humano tornou-se um grande vilão estuprador de almas. Os relatos históricos mais antigos atestam muitas matanças, barbáries, pilhagens e instituições que legitimaram a hipocrisia em nossa civilização. Sófocles, o grego, já dizia muito antes dos cristãos povoarem a terra que o dinheiro corrompe os corações humanos. E, por acaso, alguém o levou a sério?

Basta observar a comédia do natal que acontece todo final de ano no mundo cristão. O evento não tem nada a ver com o aniversariante, é apenas uma data comercial que serve para consolidar o domínio do deus capital e toda aquela hipocrisia rasteira pela qual o Nazareno foi pregado na cruz. Enfim: uma trágica ironia da história.

Ademais, se conversarmos com nossos conhecidos, observaremos que a maioria diz querer e praticar o bem em relação ao próximo. Mas se isso é verdade, sinceramente não entendo porque o Brasil é este grande celeiro de piratas avarentos.

O que dizer sobre tudo isso? Somos hipócritas!! Conhecemos o que precisa ser feito, sabemos como fazê-lo, mas não fazemos nada porque estamos brutalmente anestesiados para “tolerar” o fedor da latrina que é a nossa sociedade. Jogamos a culpa nos políticos quando a culpa é nossa de concordarmos com a república.

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