A alegria dos escravos

HComissao Camara dos deputadosoje muita gente “de direita” ficou feliz porque a comissão da Câmara dos Deputados aprovou a definição de família como a união entre homem e mulher. Apesar de essa ser incontestavelmente a família natural, enfim, aquela formada pela natureza, nós não somos simples animais no meio da floresta. Somos humanos livres e vamos muito além do que a natureza estabeleceu para nós.

Veja bem, não entro na questão de se é moral ou imoral pessoas do mesmo sexo se relacionarem, criarem filhos e etc (movimento LGBT). Menos ainda se uma pessoa pode ou não se unir com várias outras (poligamia). Tudo isso é secundário e não têm nenhuma importância substancial.

A questão que devia ser feita e ninguém faz é a seguinte: POR QUE RAIOS O ESTADO DEVE DETERMINAR COMO AS PESSOAS SE RELACIONARÃO INTIMAMENTE ENTRE SI? POR QUE OS POLÍTICOS DEVEM TER O PODER DE DIZER COM QUEM VOCÊ PODE VIVER? Essa é a questão principal a qual é constantemente ignorada pelos movimentos tradicionais e LGBT. Ambos, apesar de desejarem objetivos diferentes, só servem a um mesmo senhor: o Estado. Ambos querem dar para ao Estado o poder de determinar com quem as pessoas podem se relacionar e constituir união.

O Estado não tem que dizer para as pessoas como elas devem se unir ou conduzir a própria vida. Com quem você vive e faz sexo é problema só seu. Esse tipo de discussão só existe porque vivemos num Estado totalitário no qual as pessoas ainda permitem que o Estado se assenhore de atividades que jamais deveriam ser estatais como a de seguros em geral (previdência e saúde). Mas o que isso tem a ver? Tudo.

A partir do momento que um homem pode se casar com outro homem ou com várias outras pessoas, se um deles morrer, o INSS terá que pagar pensão por morte para todos. Nesse caso, o problema já não é só deles, mas de todos, pois o INSS é estatal e custeado pelos impostos de todos os brasileiros. Da mesma forma funciona a questão da saúde. Os relacionamentos LGBTs e poligâmicos possuem risco maior de transmitir doenças sexualmente transmissíveis (DSTs e AIDs). Nesse caso, o problema também passa a ser público já que o SUS é mantido com dinheiro de impostos pagos por todos. Enfim: a mania estatal de querer monopolizar o mercado de seguros dá ao Estado motivo suficiente para controlar com quem você pode ou não se relacionar sexualmente e poucas são as pessoas capazes de perceber a gravidade do problema.

A partir do momento que o mercado de seguros (previdência e saúde) passa a ser privado, o problema deixa de ser de todos para ser só seu. Já que é você que paga seu seguro de vida, seu seguro pensão e seu seguro saúde conforme o seu grau de risco. Isso tira da coletividade o motivo para que ela tente, por meio do Estado, mandar na sua vida via normatização das uniões civis. Nessa hipótese, com quem você vive passa a ser problema só seu. Logo, se você quiser, pode viver uma vida monogâmica, poligâmica, GLBT ou até inventar coisas novas sem que mais ninguém tenha motivo para tentar mandar no modo como você conduz a própria vida, já que os bônus e ônus de suas escolhas passam a ser responsabilidade exclusiva sua. E, se você para pensar com serenidade, verá que essa mesma questão de fundo permeia o debate sobre a liberação das drogas (bebida, cigarro, maconha e outras). E aqui, mais uma vez, não faço julgamentos morais sobre o tema, mas deixo uma reflexão: se o sistema de previdência e de saúde fossem privados, qual direito as outras pessoas teriam de dizer se você deve beber ou não, fumar ou não ou usar outras drogas ou não? De igual forma, seria problema só seu e você, unicamente você, teria que conviver com os bônus e ônus de suas escolhas.

Portanto, a questão de fundo é sempre a mesma: liberdade x estatismo.

Por essas razões, eu não comemoro a decisão da comissão da Câmara de Deputados. Ao contrário, a repudio e com veemência. Não porque sou contra a família tradicional (eu mesmo vivo em uma), mas porque sou contra conceder poder para o Estado mandar em nossas vidas privadas.

Os seguros públicos devem ser privatizados e, juntos com eles, o direito de cada pessoa escolher com quem deseja viver e praticar sexo. Chega de Estado mandando em nossas vidas!

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